Mulheres na TI, o lugar delas no mercado de trabalho majoritariamente masculino

mulheres-na-tiAs mulheres têm sido cada vez mais reconhecidas ocupando cada uma o seu lugar no mercado de trabalho (aliás, mulher no mercado de trabalho existe desde que o mundo é mundo, neh, mas reconhecimento é algo que se galga dia-a-dia).

Pare pra refletir sobre algumas mulheres que representam expoentes em suas áreas: Angela Merkel (chanceler da Alemanha); Margaret Hamburg (chefe do FDA, nos EUA); Hillary Clinton (secretária de Estado norte-americana); Dilma Rousseff (ex-presidente do Brasil e primeira mulher a assumir a maior economia da América Latina); Amelia Earhart (primeira mulher a voar o Oceano Atlântico); Maud Wagner (primeira tatuadora dos Estados Unidos); Sarla Thakral (primeira indiana a conquistar uma licença para pilotar); Kathrine Switzer (primeira mulher a correr a Maratona de Boston); …

Segundo o OGlobo “elas respondem atualmente por 43,8% de todos os trabalhadores brasileiros. Mas a participação vai caindo conforme aumenta o nível hierárquico. Elas representam 37% dos cargos de direção e gerência. No topo, nos comitês executivos de grandes empresas, elas são apenas 10% no Brasil.”

E na tecnologia, como é o cenário? Conhece Ada Lovelace? Sim?! Não?!

Ada Augusta King, Condessa de Lovelace

Ada lovelaceÉ reconhecida principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Já foi homenageada com um data no calendário, 15 de outubro, que é internacionalmente nomeado “Ada Lovelace Day”.

Nasceu em 1815 e entre 1842 e 1843 ela criou notas sobre a máquina analítica de Babbage, que foram republicadas mais de cem anos depois. A máquina foi reconhecida como primeiro modelo de computador e as anotações da condessa como o primeiro algoritmo especificamente criado para ser implementado em um computador.

A máquina que ela ajudou a criar não foi construída durante o tempo de vida da condessa, falecida em 1852. No entanto, em 1982, uma linguagem de programação estruturada ganhou o nome “Ada” como referência a uma das personagens mais representativas da história da tecnologia.

Apesar de ter sido elogiada por colegas próximos, o reconhecimento do pioneirismo de Ada com programação só veio quase um século depois de sua morte. Isso foi quando Alan Turing, um matemático e cientista da computação renomado, fez referência ao trabalho dela.

Margaret Hamilton

margaret_hamiltonTodos sabem que Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na lua, seguido por Buzz Aldrin. Mas vamos falar de alguém crucial para a missão, a programadora Margaret Hamilton.

Obviamente, a missão Apollo 11 foi uma grande conquista da engenharia e também foi um feito imenso em termos de software. Os astronautas usaram um computador chamado Apollo Guidance Computer, tanto no módulo de comando quanto no módulo lunar, para navegar e controlar a nave. E, claro, alguém precisou programar isso.

O software foi escrito por uma equipe do MIT, do Laboratório de Instrumentação (atualmente chamado de Laboratório Draper) – e a equipe foi liderada pela programadora Margaret Hamilton. O software foi escrito por uma equipe do MIT, do Laboratório de Instrumentação (atualmente chamado de Laboratório Draper) – e a equipe foi liderada pela programadora Margaret Hamilton.

Grace Hopper

grace hoperGrace Murray Hopper (nascida em 9 de dezembro de 1906) foi uma analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950 e almirante. Foi ela quem criou a linguagem de programação Flow-Matic, hoje extinta, mas que serviu como base para a criação do COBOL.

A maioria das mulheres pensava só em casar e tomar conta do lar, mas Grace queria mais. Em 1930 ela conseguia seu Mestrado por Yale e em 1934 já tinha um Ph.D., em matemática, e uma carreira sólida como professora.

Na época da 2ª Guerra Mundial ela se licenciou e se alistou na WAVES, uma divisão criada especialmente para mulheres, que cuidariam das áreas burocráticas enquanto homens lutavam nas linhas de frente.

Ela se graduou em 1º lugar na turma, se formando Tenente e sendo designada para o projeto de computação de Harvard, programando o Mark I, um dos primeiros computadores do mundo. Daí continuou em Harvard trabalhando para a Marinha até 1949, como terceirizada, depois de ter ido para a Reserva Naval, com o fim da guerra.

Em 1949 ela mudou de emprego, foi desenvolver o UNIVAC I, que já era mais próximo de um computador de verdade. Então ela teve a idéia que mudaria tudo no mundo da Informática: o Compilador.

Nos anos 60/70 ela pesquisou e definiu conceitos como padrões e certificações para homologação de software, implementando o uso e a padronização de COBOL na Marinha.

Anita Borg

Anita-Borg1Anita Borg foi membro da equipe do Centro de Pesquisa Palo Alto da Xerox. Ela também foi presidente e diretora fundadora do Institute for Women and Technology, uma organização sem fins lucrativos focada em aumentar o impacto das mulheres sobre a tecnologia e aumentar o impacto positivo da tecnologia sobre as mulheres em todo o mundo.

Após receber seu Ph.D. da Universidade de Nova York, Borg trabalhou por quatro anos em um sistema operacional tolerante a falhas para a Auragen Systems Corporation em Nova Jersey e depois com a Nixdorf Computer na Alemanha. Ela passou de 1986 a 1997 na Digital Equipment Corporation, onde desenvolveu e patenteou um método de análise de desempenho para sistemas de memória de alta velocidade. Durante esse tempo, ela também desenvolveu o Meca, um sistema de comunicação em comunidades virtuais.

Borg recebeu muitos prêmios, incluindo o Pioneer Award da Electronic Frontier Foundation e o Augusta Ada Lovelace Award da Associação de Mulheres em Computação. Em 1998, foi introduzida no Hall da Fama da Women in Technology International.

Irmã Mary Kenneth Keller

Mary-Kenneth-KellerConsiderada a primeira mulher a receber um doutorado em ciências da computação, Keller se formou na Universidade Washington, na cidade de St. Louis, nos Estados Unidos. O diploma veio em 1965, mas desde 1958 já trabalhava em oficinais de informática. Sua contribuição foi fundamental em relação à linguagem de programação BASIC, criada com fins didáticos e utilizada por décadas, até ser substituída pelo Pascal, mais arrojado, seguro e seguir de melhores práticas.

Ela enxergou desde cedo o potencial dos computadores como uma ferramenta educacional e voltada para o desenvolvimento humano, seja por meio de um maior acesso à informação ou simplesmente como suporte na sala de aula.

Mary Kenneth Keller escreveu quatro livros sobre computação e programação, e as obras são, até hoje, uma referência. Ela também foi uma das primeiras vozes pela inclusão das mulheres no ramo da informática. Hoje, batiza o Centro de Ciências da Computação da universidade onde atuou por 20 anos, além de ter uma bolsa de estudos na área que também leva o seu nome.

Jean Sammet

Foi a criadora de uma das primeiras linguagens computadorizadas existentes, o FORMAC, que entrou em uso no final dos anos 1960 pelas mãos da IBM, era utilizado para manipular fórmulas matemáticas e auxiliar em cálculos complexos.

Nada mais justo vindo das mãos de uma mulher que, antes de se tornar doutora em ciências da computação, trazia consigo duas formações distintas em matemática, uma pela Universidade de Illinois e outra pelo Mount Holyoke College. Por causa disso e de seus conhecimentos em informática, ela trabalhou durante 27 anos na IBM, que por muito tempo foi a empresa símbolo dessa indústria em todo o mundo.

Também teve influência importante na criação do COBOL e participou de diversas entidades voltadas à inclusão das mulheres na indústria da tecnologia. Sammet ainda presidiu a ACM (Associação para Maquinaria de Computação, na tradução do inglês), uma iniciativa voltada para o uso da informática em projetos científicos e educacionais, com mais de 70 mil membros.

Karen Sparck Jones

Karen-Sparck-JonesJones realizou um trabalho focado em processamento de linguagem. Ela foi uma das criadoras do conceito de “inverso da frequência em documentos”, a base do que hoje são os sistemas de busca e localização de conteúdo e pedra fundamental de companhias como o Google, por exemplo.

Trata-se de um sistema de recuperação de informações que minera de forma extremamente veloz os dados em um conjunto de documentos. A busca é feita pelos termos que mais aparecem nos textos, que quando cruzados com um sistema de filtragem, mostram a relevância de diferentes temas. É o que define, de forma básica, se uma página, por exemplo, está falando sobre a influência das mulheres no mundo da tecnologia ou se apenas cita as palavras “mulheres” e “tecnologia”, mas em um contexto completamente diferente.

Os estudos de Karen Sparck Jones foram desenvolvidos no laboratório de computação da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde ela trabalhou por quase 30 anos, entre 1974 e 2002. Ela se aposentou naquele ano, mas continuou se dedicado a causas de inclusão das mulheres no mundo da tecnologia até seu falecimento, em 2007.

Carol Shaw

Citada como a primeira mulher a trabalhar na indústria dos games, Shaw foi uma das funcionárias originais da Atari. Apesar disso, ela passou pouco tempo na empresa, sendo contratada rapidamente pela Activision e participando do desenvolvimento de um dos maiores clássicos dos games, River Raid.

Seu cartão de visitas a atribuía a função de “engenheira de software para microprocessadores”, o que significava que ela atuava também nos sistemas do próprio console. E trabalhando com uma máquina com apenas 128 bytes de memória RAM, ela foi a responsável por criar o primeiro sistema de geração procedural de conteúdo, o que significava que, em River Raid, uma fase nunca era igual à outra. Oponentes, itens e objetos do cenário apareciam de forma randômica, em uma prática que é utilizada até hoje.
Em seu currículo, também estão games clássicos como 3D Tic Tac Toe, Super Breakout e Happy Trails, seu últmo game com a Activision. Ela se aposentou em 1990 e mora na Califórnia, nos Estados Unidos, onde realiza trabalho voluntário.

Roberta Williams

Ela, ao lado de seu marido, Ken, foi a fundadora da On-Line Systems, que mais tarde, se tornaria a Sierra, um dos maiores nomes da indústria de jogos eletrônicos, tendo participado do desenvolvimento e/ou distribuição de grandes nomes como King’s Quest, Phantasmagoria, Half-Life e Counter-Strike.

A história de Roberta com os games começa quando ela foi apresentada, pelo marido, a Adventure, um game de aventura baseado unicamente em texto. Até hoje citado por ela como um de seus preferidos, o título a levou a pensar que os games poderiam ter um incrível potencial visual, o que a levou a desenvolver, ao lado do marido, Mistery House. O título com linhas simples foi a base fundamental da Sierra, que se tornou uma das empresas mais icônicas do mercado.

Aos poucos, a empresa foi acumulando estúdios e passando por diversas reestruturações, vendas e organizações internas. Em meados dos anos 2000, a companhia foi adquirida pela Vivendi, que mais tarde, se uniu à Activision para criar o que hoje é a maior empresa de games do mercado. Em 2008, entretanto, a Sierra deixou de existir, voltando à vida em 2014 e existindo até os dias de hoje.

Esse retorno também garantiu a Roberta e Ken Williams um prêmio honorário na cerimônia dos The Game Awards de 2014. No evento, eles foram considerados “ícones da indústria” e aproveitaram a ocasião para anunciar o reboot de King’s Quest, com episódios ainda a serem lançados. A honraria foi apresentada com um relato emocionado de Neil Druckmann, produtor de The Last of Us e Uncharted 4: A Thief’s End, afirmando que aprendeu a falar inglês e decidiu trabalhar na indústria devido à influência de King’s Quest e das obras da Sierra.

Radia Perlman

Radia-PerlmanSe Tim Berners-Lee é o pai da internet, Radia Perlman pode ser considerada como a mãe. Designer de software e engenheira de redes, ela foi a responsável pela criação do protocolo STP (Spanning Tree Protocol), que melhorou a performance de sistemas conectados ao evitar a realização de loops de dados, garantindo que as informações trafeguem mesmo em caso de problemas, sem ficarem perdidas tentando firmar uma conexão inexistente.

Imagine que você precise chegar ao outro lado de um rio e possui diversas alternativas para fazer isso – uma ponte de madeira frágil, uma com elevações, outra que desce até a água para depois subir e, finalmente, aquela em linha reta, a mais eficiente, feita de concreto. O protocolo de Perlman permite que os dados, como você, saibam que aquele é o caminho mais rápido para chegar ao destino. Caso algo dê errado, ele também permite mensurar qual é o segundo melhor, e assim por diante.

Ela também é uma das pioneiras no ensino de programação e arquiteturas de redes para crianças, além de ter sido uma das criadoras do TORTIS, uma linguagem de programação com fins também educacionais, só que de robótica. Ela também foi a responsável por diversos protocolos de segurança de rede e, hoje, trabalha na Intel, além de ser dona de mais de 50 patentes relacionadas a tecnologias de conexão.

Frances Allen

A primeira mulher a ganhar o prestigiado Turing Award, Allen trabalhou durante 45 anos na IBM, onde esteve no centro de muitos dos avanços da computação e, principalmente, na chegada dessas máquinas às casas das pessoas comuns. É dela, por exemplo, algumas das principais bases de sistemas de otimização de código e paralelização, permitindo que softwares avançados rodassem de maneira melhor até mesmo nos computadores mais fracos.

Além disso, seu conhecimento em programação a levou a criar alguns dos primeiros sistemas de segurança da NSA, a agência de segurança nacional do governo dos EUA. Seus trabalhos no setor de inteligência, claro, nunca foram conhecidos completamente por questões de sigilo, mas garantiram a ela uma influência fundamental no estado da segurança da informação como a conhecemos hoje.

 

Não podemos nos esquecer de outros nomes, como:

Marina C. Chen, sua pesquisa inclui o design e a implementação dos compiladores Fortran-90 para plataformas de alta performance. Também foi Presidente da Cooperating Systems Corporation;

Adele Goldberg, trabalhou na criação do primeiro “window”, uma interface baseada em ícones;

Madge Greswold, ajudou no desenvolvimento da linguagem de programação ICON;

Lois Haibt, desenvolveu um analisador de expressão aritmética, componente essencial para o compilador FORTRAN;

Emmy Noether, pesquisou álgebra abstrata que forneceu os fundamentos para a criação da linguagem PROLOG;

Susan Owicki, pesquisou sistemas distribuídos, análise de performance e sistemas confiáveis para o comércio eletrônico;

Stephanie Seneff, pesquisou e desenvolveu o reconhecimento de voz por computador;

Maria Fernanda Teixeira, vice-presidente da EDS no Brasil;

Sulamita Garcia, responsável pelo projeto LinuxChix Brasil, projetista de software da Cyclades Corporation.

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